O Rio de Janeiro está vivendo um momento de exceção, com desrespeitos ao Estado Democrático de Direito. A denúncia foi feita nesta quinta-feira (23/02) pela deputada Janira Rocha (PSOL), em discurso no plenário da Assembleia Legislativa (Alerj), ao criticar as punições sumárias que vem sendo impostas pelo governo estadual a policiais militares e bombeiros que participaram da mobilização das categorias por melhores salários. Janira citou como exemplo o fato do cabo Benevenuto Daciolo, um dos líderes do movimento dos PMs e bombeiros, que continua preso até hoje.
"Estamos vivendo essa situação de exceção e fazemos de conta que realmente existe uma democracia no nosso Estado. Existe, sim democracia no Rio, mas para os ricos, para os poderosos, para aqueles que fazem parte desse grande conluio administrativo, político, partidário que é feito pelo governador Sérgio Cabral, pelo PMDB", disse Janira. Para ela, as pessoas de bem do Rio deveriam prestar mais atenção à forma como o governo estadual vem tratando a questão. "Houve caso de prisão sem flagrante, sem mandado de prisão, de presos incomunicáveis, uma série de figuras muito próprias da época da ditadura militar, muito próprias de procedimentos de exceção. E nós não estamos nos dando conta da gravidade desses fatos", denunciou Janira.
Ela citou como exemplo também das ações autoritárias que vem sendo adotadas desde a mobilização dos bombeiros e PMs, a decisão da Defensoria Pública de afastar o defensor Luiz Felipe Drummond do caso. O defensor vinha defendendo os bombeiros desde o início da mobilização da categoria, no ano passado. "O Dr. Luiz Felipe, que estava na linha de frente em defesa dos bombeiros, não mais que de repente, foi afastado. Tiraram o defensor e o transferiram para a Zona Oeste, em Bangu, e ele não poderá mais trabalhar na defesa dos bombeiros", denunciou Janira.
Para ela, os cariocas e fluminenses de bem ainda não se deram conta do quanto é necessário dizer não à estas atitudes do governo estadual. "Porque o que está se fazendo na verdade hoje, contra esses trabalhadores, amanhã poderá se voltar contra qualquer um, contra qualquer parlamentar, contra qualquer membro do Judiciário", disse Janira. "Nós estamos vivendo um momento de exceção de todas as normas e de todas as regras", completou.
