Janira Rocha - Deputada Estadual - RJ

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Comperj é um caldeirão prestes a explodir por causa da omissão do governo e da Petrobras

A omissão do Governo do Estado do Rio e da Petrobras está prestes a produzir um episódio de violência e consequências imprevisíveis dentro dos canteiros de obra do Comperj. Parece que os acontecimentos de Jirau já se apagaram das mentes de nossos governantes.
Os operários do Complexo vem desde o mês de dezembro do ano passado, tensionados com a dura política de arrocho salarial e desrespeito patrocinados pelas empresas prestadoras de serviço à Petrobras. Foram vítimas de demissões, não cumprimento do acordo judicial, descontos variados nos salários e toda sorte de assédios por parte dos patrões. Após uma greve, com a intermediação de parlamentares e do próprio presidente da Alerj, que por estes foi acionado, chegou-se a um acordo.

Fevereiro é o mês da campanha salarial, portanto pressupõe-se que os patrões sentariam na mesa com o Sindicato e Comissões de Fábrica para dar curso a um processo negocial. No entanto, este também é um momento de negociação de contratos e termos aditivos destas "Gatas" ( Odebrecht, Lusa, Teag, MPE, QGGI, Consórcio SPE, Paranasa, Multitec, CCPR entre outras) com a Petrobras. As denúncias que apuramos é que existe uma "movimentação plantada" entre os operários, dentro da legítima Campanha Salarial, para pressionar a Petrobras beneficiando assim essas empresas. 

A política foi de promover uma confusão entre os próprios operários na fábrica no início deste mês. Segundo relato de operários houve feridos (conforme noticiado pela Imprensa local) e inclusive um trabalhador morto, até agora não identificado publicamente. Este tumulto teria antecipado a greve antes de iniciadas as negociações fazendo com que houvesse um pronunciamento precoce da Justiça que decretou Interdito Proibitório do Sindicato (que ao que parece até gostou da medida que o exime de responsabilidades), impedindo a ação deste e a realização de Assembleias na porta do Complexo. Aponta-se com a possibilidade de reabrir negociações se a greve terminar, com corte no ponto dos dias parados e sem que nenhum ponto da pauta seja atendido.
A assembleia que vai discutir "a proposta" será amanhã (28/02), e se o clima for o da última reunião que participei, temo que o pior possa acontecer. Naquela ocasião, quando estavam presentes mais de 10 mil trabalhadores, a indignação era tão grande que havia ameaças contra membros do Sindicato por alguns operários acharem que eles estavam pelegando. Muitos gritavam que se a greve não fosse votada tomariam a direção do processo das mãos do Sindicato.
Acabo de conversar com alguns membros da Comissão de Fábrica que me procuraram no Gabinete e me relataram um clima tenso e explosivo. Segundo eles, chegam noticias de que a Petrobras e as Gatas estariam contratando seguranças na região para "conter de maneira mais firme" os operários, dizem terem sido contatados pelo Comando da Polícia Militar da Região que assegura que qualquer problema será resolvido a balas e gás - imaginem, um efetivo do Choque enfrentando 10 mil homens a balas e gás.
Não podemos deixar que isto aconteça, precisamos impedir qualquer violência que possa advir desta crise. A Petrobras, o Governo do Estado, as Direções das Empresas prestadoras de Serviços, a Alerj, todos nós precisamos fazer alguma coisa para evitar o pior. É preciso que o Sindicato, comissões de fábricas sejam recebidos em Audiência pela Petrobras com a intermediação do Governo. Nenhuma violência, seja Policial ou dos "seguranças particulares" pode ser permitida, é preciso estabelecer o diálogo para que a paz volte aos canteiros de obras.
Nosso Mandato estará presente e ainda hoje estaremos enviando e-mails ao Governo do Estado, a Petrobras, ao Presidente da Alerj solicitando intermediação para evitar que essa situação se transforme em um desastre.
Chamamos a todos que através dos recursos disponíveis, Redes Sociais etc, se manifestem pressionando por uma saída negociada. Enviaremos também este texto às grandes Redes de Televisão para que elas possam se antecipar aos fatos e também pressionar por uma saída negociada.
Mandato Janira Rocha

 
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